• Cooperação entre TCU, CGU e tribunais de contas estaduais leva o controle externo brasileiro à ONU

    24 de July 2026

Auditorias apresentadas na 80ª Sessão do Conselho de Auditores das Nações Unidas foram conduzidas por equipes multidisciplinares de 16 estados e do Distrito Federal, reunindo instituições de controle de todo o país e alcançando 92% de aceitação das recomendações

O modelo de atuação integrada do controle externo brasileiro foi o grande protagonista da apresentação dos resultados das auditorias de 2025 ao Conselho de Auditores das Nações Unidas (United Nations Board of Auditors). Os trabalhos reuniram 46 auditores dedicados exclusivamente ao projeto, provenientes de 16 estados e do Distrito Federal, em uma composição que traduz a cooperação institucional e geográfica que fundamenta o sistema de controle no Brasil.

Instituições de controle unidas em um mesmo esforço

As equipes foram formadas por servidores do Tribunal de Contas da União (TCU), da Controladoria-Geral da União (CGU) e de tribunais de contas dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. A participação dos auditores estaduais foi viabilizada por meio de Acordo de Cooperação firmado com a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) - arranjo que ampliou a diversidade de perspectivas e reforçou a atuação em rede das instituições de controle. As mulheres representaram 41% dos integrantes.

Essa diversidade institucional e regional, segundo o TCU, enriquece as análises e permite que os trabalhos reflitam diferentes experiências do controle externo brasileiro - princípio que também orienta a atuação da Rede de Controle da Gestão Pública.

Resultados que confirmam a força da cooperação

O esforço conjunto produziu resultados expressivos: 106 achados e 149 recomendações, com índice de aceitação de 92% pelas entidades auditadas, além de oito opiniões sem ressalvas sobre as demonstrações financeiras analisadas. Os relatórios foram submetidos à revisão e à aprovação do colegiado durante a 80ª Sessão Regular do Conselho, realizada na terça (21/7) e na quarta-feira (22/7), na sede da ONU, em Nova Iorque.

Ao comentar o índice de aceitação, o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, ressaltou que o número reflete a qualidade do diálogo com os gestores auditados. "A taxa de aceitação não é um número burocrático. É a medida do diálogo. Significa que as entidades reconheceram os problemas e se comprometeram a corrigi-los", afirmou. O acompanhamento prossegue após a emissão dos relatórios: das recomendações de anos anteriores, 61% já foram implementadas.

Foco em áreas críticas e nas pessoas

Diante das restrições orçamentárias das Nações Unidas, as auditorias priorizaram três frentes: sustentabilidade financeira, entrega de serviços aos beneficiários e gestão de pessoas. Mais da metade dos achados relaciona-se à prestação de serviços às populações atendidas. "A auditoria pública deve ter como premissa melhorar a vida das pessoas; por isso, temos que ter sempre as pessoas em primeiro lugar", destacou o ministro Vital do Rêgo.

Entre os destaques do ciclo, sobressai a auditoria do Fundo Conjunto de Pensão do Pessoal das Nações Unidas (UNJSPF), em que as equipes brasileiras desenvolveram modelo atuarial independente e recalcularam benefícios que afetam mais de 90 mil pessoas em mais de 190 países.

Nove entidades auditadas

Na 80ª Sessão, o Brasil apresentou relatórios referentes a nove entidades e estruturas das Nações Unidas: Unicef, ONU Mulheres, UNODC, UNFPA, UNU, Unitar, IRMCT, UNJSPF e o Escritório das Nações Unidas em Viena.

Sobre a atuação brasileira no Conselho

O Brasil, representado pelo TCU, integra o Conselho de Auditores da ONU desde julho de 2024, para mandato de seis anos, ao lado da França e, agora, da Indonésia - que substituiu a China nesta sessão. Mais informações sobre a participação brasileira estão disponíveis no site do Projeto AuditaONU (Audita ONU).

Com informações da Secretaria de Comunicação (Secom) do Tribunal de Contas da União (TCU). Texto original publicado no Portal TCU em 23/07/2026.